Infância

Nota: O que acabo de ver, daria pauta para mais um enorme texto de indignação. Mas não, não o farei. O fato é que: estou voltando para casa com meus pais e vejo um homem-negro-brasileiro-miserável sentado em plena Av. Brasil comendo papéis. Não vou dizer o que penso sobre isso, pois quem me conhece sabe o que penso.
Eu, desde criança vejo coisas do tipo e falo com meus pais. Chorava ( e choro até hoje), pois já me causava dor e revolta desde criança. Mas parei de falar e passei a escreve. Por que sempre vejo essas coisas que mais me doem? Será que é por que me importo e me preocupo com isso???



vem, menina!
eu te chamo
para junto de mim
vem brincar
no meu quintal
me dê a mão
vamos rodar uma ciranda,
dançar, pular, brincar.
vem, menina!
vamos com laços
de fita nos cabelos
subir nas árvores
desfrutar-nos
dos frutos da vida
rodar nos pés da cigana
e abrir as mãos para ela
e, depois do feito,
fundir-nos-emos
à noite negra
brincaremos com a lua
e dela gozaremos do
mais puro brilho
esplendoroso da prata
que nos banha.
vem, menina!
vamos à lua
vamos à rua
expor nossos rostos
pra felicidade
dizer que a poesia
resistirá bravamente
e aquela estrela do outro lado
estará, de onde estiver, sorrindo
para nós.
vamos prometer isso à ela!
vamos, menina!

3 comentários para maricota:

°º Manachicaº° disse...

COncordo com Betina quando ela diz que se perde nas suas poesias.
Quando eu venho responder fico imersa a teus poderes.
Faça-o sempre! é gostoso.
Seus laços (nossos)
estão firmes nos nossos pulsos.

Eles surgem no teu caminho pra fazer da dor deles conhecimento e poesia pra nós..vc sabe o jeito dando importancia a eles.

Tenho que contar URGENTE o fato do choro com a cor de frida kahlo.
foi lindo!

te amo!

°º Manachicaº° disse...

É sim, temos que rever nossos conceitos e é logo.

Estive pensando (na verdade me veio a mente agoraa)
que nós duas conseguimos nos comunicar mais pela poesia que pela vida normal..ée

vou publicar no blog o fato de frida kalho.

My religion is love!

betina moraes disse...

se você promete... se você promete... se dá suas mãos (as da menina também. quem seria a menina? uma projeção de todas as outras mulheres que deveriam estar comprometidas com o futuro da magia, do amor, da própria lua? serei eu? será você? serão todas as meninas do mundo! sim, serão todas!), se escreve sem preconceito, se dá o seu sangue para parir o verso... se você promete, maricota, o poema está salvo, salva-se o suor derramado de todos os poetas, dos que existem e dos que vão existir. salva-se o futuro da imaginação!

um beijo com tanto afeto quanto admiração.

 
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