falta cor...
Pra nunca esquecer...
gerações através de vento
para ouvir e apaixonar-se:

4 horizontes
(Música : Lenine / Letra : Pedro Luís )
É que no fim da estrada
Eu vejo quatro horizontes
Há mar
Há montes de histórias
Mistérios
Sedes distintas
Aquilo que te sacia
Pra mim é um três por quatro
O que retrata meu medo
Pra você não tem segredo
O que pra ti é degredo
Pro outro é porto seguro
Seu furo de reportagem
Pra nós é mera bobagem
Viagem sem paradeiro
Nos faz tão perto e distantes
Depois da minha chegada
Sua partida, seu antes
Estrada de quatro sentidos
Encruzilhada de destinos
Quanto mais flor mais mulher
Quanto mais velho mais menino
Ouça aqui: Plap - Pedro Luis e a Parede
AMAR-ELA

aqui não há números ou formas
definições e padrões já se foram
peço desculpa à terra:
ela não tem culpa que
o mundo seja tão feio.
mas o mundo é maravilhoso
o conceito de liberdade
inventado por nós, homens,
não pode ser só um conceito
homens livres não destroem
livres são transparentes
com seus feitos e suas ações
números-conceitos-padrões
ficam longe daqui.
aqui só há cores:
elas dizem muito!
Paixão

(Chavela Vargas)
Todos me dicen el negro, Llorona
esfera pensativa
poseia musicada
Roberta Sá - Lavoura
Ciranda
A página? 161; sexta linha
e disso: 'dia", pensámos, "é de mais". De nada nos serviu, pois mais uma'
saiu isso:
Sorrir,
ao lembrar dos passos,
não basta o dizer
da boca lúcida
ou até entorpecida
Palavra é algo de mais
valioso que tenho.
Palavras são doces,
ferinas e mortíferas
De nada nos serviu
o suor daquela dança
quando não pensamos
que acontecerá novamente
Pois um dia será:
mais suja e mais pura
mais lânguida e mais intensa.
escolhas
Homenagem - Ariano Suassuna
Para Betina
E daí?
O Barulho da rói o rosto dos homens. Se agora esclareço tudo, por dentro enegreço.
E de que adianta falar isso? Eu quero é comer, não interessa o quê! Eu quero aquele cactos, aquele chão rachado. Quero comer os miolos daqueles mendigos rotos e negros como a noite- eu como a noite- catando os cigarros jogados por alguém. Alguém? Não existe alguém. As grades separam os “alguéns” a todo instante. Não se preocupe com o ser: tudo é repetição!
Mas não, não falarei mais deles! Ah, sim...o sarcasmo dela e ironia ridícula do azerbaidjano cairiam bem, mas não, não “subiram bem cérebro acima” . Regurgitei, sendo o recém-nascido que sou agora. Indigestão!
Quero voltar pelos bigodes de Hitler e arrancar-lhe o seu nacionalismo exacerbado e jogar na fuça desses que estão do meu lado: virem-se!
Não pensa, Mayra, não pensa! Tira esse fone do ouvido e risque. Esqueça o barulho das moedas nas mãos da loura de óculos, blusa listrada de vermelho e branco e alça jeans. Pare de encará-la. Outra indigestão! (Não esqueça de esquecer, esquecer de raciocinar).
O velho banguela mastigando gilete, ou a cela? Isso, a cela! Aquela cela em que meu imaginário viu secarem meus músculo, de tantas lágrimas: preta, com apenas uma tomada quebrada, emaranhados de fios por todos os lados , rabiscos enormes nas suas paredes escuras, os mais bizarros, os inimagináveis! Mas não quero reavivá-la na minha mente. Na verdade, eu não quero nada. Não quero abrir, não quero fechar, não quero esquentar, não quero esfriar. Não olhar, nem quero terminar este texto. Isso, isso mesmo, não quero terminar, e daí?
Boa digestão!Nosso sonho tornando-se realidade...
Ela se referia à matéria do jornal O Dia, na página 11. Mas não é matéria qualquer. É A matéria!
Quinta-feira, 08-05, Gustavo de Almeida, colunista do jornal O Dia, compareceu à casa da jornalista holandesa Patrícia Maresch para uma entrevista sobre um documentário que ela dirige com 4 jovens da Vila Cruzeiro: Diogo, Luiz, Mayra e Dudu.
Acordei hoje com uma mensagem no celular dizendo para que eu comprasse o Jornal O Dia e abrisse na página 11: era Patrícia, festejando o que está por vir.
Maricota feliz, feliz, dando cambalhotas!
A matéria: A Vila Cruzeiro que sonha
Nosso site: Favela Documentary - Cruzeiro
O Corpo - vida
Segue então esse presente de Grotowski: boa digestão!
O corpo-vida
Jerzy Grotowski
É necessário dar-se conta de que o nosso corpo é a nossa vida. No nosso corpo, inteiro, são inscritas todas as experiências. São inscritas sobre a pele e sob a pele, da infância até a idade presente. E talvez também antes da infância, mas talvez também antes do nascimento da nossa geração. O corpo-vida é algo de tangível. Quando no teatro se diz: procurem recordar um momento importante da sua vida, e o ator se esforça pra reconstruir uma recordação, então o corpo-vida está como em letargia, morto, ainda que se mova e fale... é puramente conceitual. Volta-se às recordações, mas o corpo-vida permanece nas trevas.
Se permitirem que o seu corpo procure o que é íntimo, o que fez, faz, deseja fazer na intimidade (em vez de realizar a imagem da recordação evocada anteriormente nos pensamentos), ele procura: toco alguém, seguro a respiração, algo se detém dentro de mim, sim, sim, nisso há sempre o encontro, sempre o Outro...e então aparece aquilo que chamamos de impulsos. Não é possível sequer formulá-lo com palavras. E quando digo corpo, digo vida, digo eu mesmo, você, você inteiro, digo. Algumas vezes a associação se refere a um momento da vida importante demais para nós para tornar-se objeto de monólogos na taverna, mas antes de qualquer associação – mesmo uma do gênero – é essencial o encontro aqui e agora com o outro, em grupo, essa presença viva: e a volta ao corpo-vida exigirá o desarmamento, a nudez extrema, total, quase inverossímil, impossível na sua inteireza. Perante um tal agir toda a nossa natureza se desperta. Portanto, o que é necessário? Algo que não seja barato. Uma doação. Eu não ousaria dar uma definição precisa, de resto, não se trata disso. Alguém que tenha experimentado aquela aventura surpreendente descobrirá as coisas mais inesperadas. Em primeiro lugar: que sabe muito mais depois do que antes: descobrirá coisas que não lhe passaram nunca pela cabeça. Em segundo lugar: que mesmo depois de um longo e extenuante trabalho está menos cansado do que estava antes de começar.
O ato do corpo-vida implica na presença de um outro ser humano, a comunhão das pessoas. Mas então até mesmo as nossas recordações são essenciais, quando se ligam a um outro ser humano, quando evocam aqueles momentos em que vivemos intensamente com os outros. Esses outros estão inscritos no corpo-vida, pertence-lhe por natureza. E se evocam com o corpo-vida o instante no qual vocês tiverem tocado alguém, aquele alguém se mostrará naquilo que vocês fazem. E talvez, ao mesmo tempo estará presente aquele que é o seu partner, aqui e agora, e quem esteve na nossa vida e quem vai chegar: e Ele será uno. Eis porque aquilo contrasta com o aprofundar-se em si mesmo, com concentrar-se em si.
É muito difícil passar daquela experiência na sua forma primeira, original, a algo que é um fato já nascido, limpo, sobre o qual é possível apoiar o pé, sem dissipar tudo. O que é necessário manter quando voltamos àquela experiência pela segunda ou terceira vez? A associação ou o movimento? Se vocês disserem: a “associação” é porque vocês existem independentemente, separadamente da suas associações. São, portanto, desmembrados. O que guia? O movimento ou a consciência? Então vocês são divididos. O corpo-vida não é associação nem movimento. A cada vez que se volta a isso, se percebe sempre de modo mais tangível. Portanto, se a quem age, sucede esquecer algo, alguém que é o seu ajudante – há um tempo atrás teria usado aqui a palavra diretor – pode vir em sua ajuda não descrevendo exteriormente aquilo que deu certo na primeira vez, mas com uma palavra que tenha o poder de despertar a vida, a vida daquele que deve agir. Faz algo do gênero, difícil de definir e o corpo- vida volta a existir.
Não é preciso ter pressa de passar para a montagem das seqüências. Voltar àquele instante da primeira tentativa, cada vez em direção à sinceridade do corpo, precisa no ato, que não retrocede; mas no entanto é diversa; aqui, hoje, agora com você hoje presente, com vocês hoje; e somente depois pegar os elos, como se fossem ilhas, e uni-los, para que se conjuguem em uma totalidade coerente, um pouco como um filme. Lentamente, lentamente, ... Para que o que está vivo ali, não morra; para que possa viver mais plenamente: livre.













