Exala a cor...

...e vimos mais um dia que se foi. Juntos, sem nos perdermos um instate do que somos!

falta cor...

hoje o dia está claro demais
os pensamentos escuros
os quais me contemplam
não aparecem  para a visita.
o café esfriou;
o biscoito murchou;
e o cigarro apagou.

a esperança de uma luta
que começa e termina
diariamente
não é mais a mesma neste dia

o que hoje na verdade me fez sorrir
foi o meu amor.
ele não veio numa carruagem dourada
veio à pé. de vicente de carvalho a penha. à pé.
veio sobre um par de havaiannas amarelas, à pé.
me dizer o 'eu te amo' de todo dia, à pé.
eu disse à pé.
e o que seria dessas 
mãos que lhe escrevem agora
se não fosse esse carinho, 
esse afago e esse chamego?

hoje, não estou para a política,
embora ela venha até a mim
a todo instante...
hoje vi inércia e solidão.

não posso dizer o que não sei, 
isso é bem verdade.
mas o que eu sei,
sei cheia de vaidade.
e dessas verdades, cheias de si,
a única da que tenho certeza
é que ele me ama!

ao amor,

leppekinte...




















Pra nunca esquecer...

A gente
se culpa
e nem se sabe.
A gente
se odeia
e nem se fala.
O branco gosta
quando tu falas
que ele é bonito.
Também adora
quando ignoras
o que tu és.
Eu falo a vocês,
imãs e irmãos,
para que não
se odeiem em vão.
Quando quiseres
saber quem tu és,
olhe em volta:
olhe 
a mãe,
o pai,
a vó,
o avô.
Olhe
Marias,
Miltons,
Estamiras,
Lélias,
Joãos,
N'zingas,
Zumbis,
Jovelinas.
Olhe você.



Pra nunca esquecer de onde vens!

gerações através de vento







...lá tinha uma ladeira em que minha bisavó descia correndo, era 1888;
 tinha também uma ladeira que minha avó descia correndo; 
a minha mãe também adorava correr por lá;
e eu... eu também gosto. 
descobri que éramos todas a mesma mulher. 
era o primeiro esboço do sonho de vermos nosso povo livre...

pegue a sua no TemplatesdaLua.com


para ouvir e apaixonar-se:




4 horizontes


(Música : Lenine / Letra : Pedro Luís )

É que no fim da estrada
Eu vejo quatro horizontes
Há mar
Há montes de histórias
Mistérios
Sedes distintas

Aquilo que te sacia
Pra mim é um três por quatro
O que retrata meu medo

Pra você não tem segredo
O que pra ti é degredo
Pro outro é porto seguro
Seu furo de reportagem
Pra nós é mera bobagem

Viagem sem paradeiro
Nos faz tão perto e distantes
Depois da minha chegada
Sua partida, seu antes

Estrada de quatro sentidos
Encruzilhada de destinos

Quanto mais flor mais mulher
Quanto mais velho mais menino


Ouça aqui: Plap - Pedro Luis e a Parede




quero correr pros braços de Novarina
e lá permanecer escondida, fiel
como quem reza fervorosamente
para se redimir de seus pecados

pecados não existem

os dias aqui
















holanda - maio/junho/09










AMAR-ELA



aqui não há números ou formas

definições e padrões já se foram

peço desculpa à terra:

ela não tem culpa que

o mundo seja tão feio.

mas o mundo é maravilhoso

o conceito de liberdade

inventado por nós, homens,

não pode ser só um conceito

homens livres não destroem

livres são transparentes

com seus feitos e suas ações

números-conceitos-padrões

ficam longe daqui.

aqui só há cores:

elas dizem muito!


reverência

Hoje é um dia para se memorar e não comemorar extamente. Memorar no sentido de lembrar da luta dos nossos antepassados por melhores condições humanas, da solidariedade que sempre tiveram e têm o tempo todo. Não comemorar, pois o 13 de maio de 1888 foi um dia em que houve ainda mais a exclusão do negro, não a libertação, prorpiamente dita.

É um bom caso a se pensar, mas aqui, não quero - pelo menos agora - gerar discussões em torno disso. Quero fazer daqui um lugar para nossas almas se encontrarem. As discussões estão em www.apertodemaotudojunto.blogspot.com . Lá, postarei um texto muito interessante que li na escola, no ano passado!

Axé,

Maricota


*Indicação: assista ao documentário Atlântico Negro - Na rota dos orixás, disponível no youtube.

Paixão




La Llorona
(Chavela Vargas)


Todos me dicen el negro, Llorona

Negro pero cariñoso.

Todos me dicen el negro, Llorona

Negro pero cariñoso.

Yo soy como el chile verde, Llorona

Picante pero sabroso

.Yo soy como el chile verde, Llorona

Picante pero sabroso.

Ay de mí, Llorona Llorona,

Llorona, llévame al río

Tápame con tu rebozo, Llorona

Porque me muero de frió


Si porque te quiero quieres, Llorona

Quieres que te quieres más

Si ya te he dado la vida, Llorona

¿Qué mas quieres?

¿Quieres más?

esfera pensativa

das poucas vezes em que ela passou por aqui embalei na dança naquela hora tudo o que eu tinha era nada agora o que eu tenho é uma caneta um papel uma lágrima sentimentos e muitas palavras palavras fora do comum palavras que estão de fora do comum estando dentro da alma agora espero agindo com esperança naquele momento de suspiro raivoso nem raiva tinha não tinha nada não tinha olhos não tinha mãos mas tinha cérebros mais de um sim era pequena e feiíssima ai como era feia e bonita ao mesmo tempo não importa o que diz importa a sensação causada pela palavra que esbofeta a cara sua suja não há mal que não passe com a nossa vontade nos vontades juntas traz mudança agora já não dá mais não dá mais tempo mas tinha um sorriso na cara isso tinha não tinha pontovírgulaparêntesestravessão mas tinha um cara de que vale sorrir se o sorriso é falso não precisa de dente bonito mas esse tinha dente bonito e sorriso verdadeiro grande e grande e até dava alucinação dava mesmo eu passei por lá e fiquei assim também alucinada para fazer cada vez mais ninguém escuta ninguém quer saber do que estamos falando mas também querem falar falar de nós falam do que não sabem e até mesmo do que não sabem falam de tudo mesmo mesmo sem saber de que não estão falando nada falam até mesmo da legião de famintos que esperam exasperadamente nem sei o que é isso mas veio à cabeça e usei também não fui procurar saber o que era talvez até saiba o que é mas não quis confirmar meu pensamento confirmar pra que é subjetivo abstrato o que disser não precisa contestar ninguém sabe o que passa nas cabeças miúdas dos famintos é incontestável sentimentos também os são não há cientista estudioso nenhum no mundo que revele com exatidão a cabeça de um poeta escritor ou até mesmo alguém que nem saiba o que está poetizando ou escrevendo escravizando as mentes dos espertos ao contrário correndo parado numa esteira localizada no vácuo abismático do pensamento vazio cansei doeu



poseia musicada
Roberta Sá - Lavoura

Ciranda

O livro? O diário de Anne Frank
A página? 161; sexta linha

e disso: 'dia", pensámos, "é de mais". De nada nos serviu, pois mais uma'

saiu isso:

Sorrir,
ao lembrar dos passos,
não basta o dizer
da boca lúcida
ou até entorpecida
Palavra é algo de mais
valioso que tenho.
Palavras são doces,
ferinas e mortíferas
De nada nos serviu
o suor daquela dança
quando não pensamos
que acontecerá novamente
Pois um dia será:
mais suja e mais pura
mais lânguida e mais intensa.

escolhas




escolhemos café
escolhemos a roupa
escolhemos andar
escolhemos a poesia
escolhemos o dia

sentir dor de amor
é algo que acontece
sem que esperemos
seja pela falta dele
seja pelo excesso

carregar essa dor
também é escolha

Homenagem - Ariano Suassuna




"...E no meio da desgraça do mundo, eu não vendo o choro, eu rio, rio !"
Quaderna, personagem de Ariano Suassuna do Romance d'A Pedra do Reino.

Use:

Femme Ecrivant - P. Picasso


Carvão
Lápis
Batom
Esmalte
Tinta
Pena
Dedos
Vísceras
Sangue
Dor
Amor
ESCREVA

Para Betina


*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*Para Betina*

E daí?

O Barulho da rói o rosto dos homens. Se agora esclareço tudo, por dentro enegreço.

E de que adianta falar isso? Eu quero é comer, não interessa o quê! Eu quero aquele cactos, aquele chão rachado. Quero comer os miolos daqueles mendigos rotos e negros como a noite- eu como a noite- catando os cigarros jogados por alguém. Alguém? Não existe alguém. As grades separam os “alguéns” a todo instante. Não se preocupe com o ser: tudo é repetição!

Mas não, não falarei mais deles! Ah, sim...o sarcasmo dela e ironia ridícula do azerbaidjano cairiam bem, mas não, não “subiram bem cérebro acima” . Regurgitei, sendo o recém-nascido que sou agora. Indigestão!

Quero voltar pelos bigodes de Hitler e arrancar-lhe o seu nacionalismo exacerbado e jogar na fuça desses que estão do meu lado: virem-se!

Não pensa, Mayra, não pensa! Tira esse fone do ouvido e risque. Esqueça o barulho das moedas nas mãos da loura de óculos, blusa listrada de vermelho e branco e alça jeans. Pare de encará-la. Outra indigestão! (Não esqueça de esquecer, esquecer de raciocinar).

O velho banguela mastigando gilete, ou a cela? Isso, a cela! Aquela cela em que meu imaginário viu secarem meus músculo, de tantas lágrimas: preta, com apenas uma tomada quebrada, emaranhados de fios por todos os lados , rabiscos enormes nas suas paredes escuras, os mais bizarros, os inimagináveis! Mas não quero reavivá-la na minha mente. Na verdade, eu não quero nada. Não quero abrir, não quero fechar, não quero esquentar, não quero esfriar. Não olhar, nem quero terminar este texto. Isso, isso mesmo, não quero terminar, e daí?

Boa digestão!

Guardo-os hoje, agora pra sempre!

Nosso sonho tornando-se realidade...

Hoje, domingo, 11-05, Dia das Mães, ouvi minha mãe dizer: -O melhor presente da mamãe!
Ela se referia à matéria do jornal O Dia, na página 11. Mas não é matéria qualquer. É A matéria!
Quinta-feira, 08-05, Gustavo de Almeida, colunista do jornal O Dia, compareceu à casa da jornalista holandesa Patrícia Maresch para uma entrevista sobre um documentário que ela dirige com 4 jovens da Vila Cruzeiro: Diogo, Luiz, Mayra e Dudu.
Acordei hoje com uma mensagem no celular dizendo para que eu comprasse o Jornal O Dia e abrisse na página 11: era Patrícia, festejando o que está por vir.

Maricota feliz, feliz, dando cambalhotas!

A matéria: A Vila Cruzeiro que sonha

Nosso site: Favela Documentary - Cruzeiro

O Corpo - vida

Transcrevo aqui, afim de compartilhar essa maravilha que a mim foi passada, o texto "O corpo-vida", de Grotowski, utilizado na "Oficina do Corpo - Corpo Criativo", ministrado pela extraordinária Ana Paula Bouzas. A oficina é parte do Centro de Estudo Artístico Experimental - CEAE, coordenado por Ana Kfouri.
Segue então esse presente de Grotowski: boa digestão!



O corpo-vida

Jerzy Grotowski

É necessário dar-se conta de que o nosso corpo é a nossa vida. No nosso corpo, inteiro, são inscritas todas as experiências. São inscritas sobre a pele e sob a pele, da infância até a idade presente. E talvez também antes da infância, mas talvez também antes do nascimento da nossa geração. O corpo-vida é algo de tangível. Quando no teatro se diz: procurem recordar um momento importante da sua vida, e o ator se esforça pra reconstruir uma recordação, então o corpo-vida está como em letargia, morto, ainda que se mova e fale... é puramente conceitual. Volta-se às recordações, mas o corpo-vida permanece nas trevas.

Se permitirem que o seu corpo procure o que é íntimo, o que fez, faz, deseja fazer na intimidade (em vez de realizar a imagem da recordação evocada anteriormente nos pensamentos), ele procura: toco alguém, seguro a respiração, algo se detém dentro de mim, sim, sim, nisso há sempre o encontro, sempre o Outro...e então aparece aquilo que chamamos de impulsos. Não é possível sequer formulá-lo com palavras. E quando digo corpo, digo vida, digo eu mesmo, você, você inteiro, digo. Algumas vezes a associação se refere a um momento da vida importante demais para nós para tornar-se objeto de monólogos na taverna, mas antes de qualquer associação – mesmo uma do gênero – é essencial o encontro aqui e agora com o outro, em grupo, essa presença viva: e a volta ao corpo-vida exigirá o desarmamento, a nudez extrema, total, quase inverossímil, impossível na sua inteireza. Perante um tal agir toda a nossa natureza se desperta. Portanto, o que é necessário? Algo que não seja barato. Uma doação. Eu não ousaria dar uma definição precisa, de resto, não se trata disso. Alguém que tenha experimentado aquela aventura surpreendente descobrirá as coisas mais inesperadas. Em primeiro lugar: que sabe muito mais depois do que antes: descobrirá coisas que não lhe passaram nunca pela cabeça. Em segundo lugar: que mesmo depois de um longo e extenuante trabalho está menos cansado do que estava antes de começar.

O ato do corpo-vida implica na presença de um outro ser humano, a comunhão das pessoas. Mas então até mesmo as nossas recordações são essenciais, quando se ligam a um outro ser humano, quando evocam aqueles momentos em que vivemos intensamente com os outros. Esses outros estão inscritos no corpo-vida, pertence-lhe por natureza. E se evocam com o corpo-vida o instante no qual vocês tiverem tocado alguém, aquele alguém se mostrará naquilo que vocês fazem. E talvez, ao mesmo tempo estará presente aquele que é o seu partner, aqui e agora, e quem esteve na nossa vida e quem vai chegar: e Ele será uno. Eis porque aquilo contrasta com o aprofundar-se em si mesmo, com concentrar-se em si.

É muito difícil passar daquela experiência na sua forma primeira, original, a algo que é um fato já nascido, limpo, sobre o qual é possível apoiar o pé, sem dissipar tudo. O que é necessário manter quando voltamos àquela experiência pela segunda ou terceira vez? A associação ou o movimento? Se vocês disserem: a “associação” é porque vocês existem independentemente, separadamente da suas associações. São, portanto, desmembrados. O que guia? O movimento ou a consciência? Então vocês são divididos. O corpo-vida não é associação nem movimento. A cada vez que se volta a isso, se percebe sempre de modo mais tangível. Portanto, se a quem age, sucede esquecer algo, alguém que é o seu ajudante – há um tempo atrás teria usado aqui a palavra diretor – pode vir em sua ajuda não descrevendo exteriormente aquilo que deu certo na primeira vez, mas com uma palavra que tenha o poder de despertar a vida, a vida daquele que deve agir. Faz algo do gênero, difícil de definir e o corpo- vida volta a existir.

Não é preciso ter pressa de passar para a montagem das seqüências. Voltar àquele instante da primeira tentativa, cada vez em direção à sinceridade do corpo, precisa no ato, que não retrocede; mas no entanto é diversa; aqui, hoje, agora com você hoje presente, com vocês hoje; e somente depois pegar os elos, como se fossem ilhas, e uni-los, para que se conjuguem em uma totalidade coerente, um pouco como um filme. Lentamente, lentamente, ... Para que o que está vivo ali, não morra; para que possa viver mais plenamente: livre.



 
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